O mundo do desporto-rei está impregnado de pessoas que vivem à custa dele sem saberem dar um único pontapé numa bola, nem mesmo a contribuírem directamente para a prática desta actividade. Quando, em crianças, foram inquiridos com a pergunta obrigatória de “Que queres ser quando fores grande”, certamente que responderam desta forma:
“Quando o meu estado de desenvolvimento adquirir uma consistência fisico-neurológica adjudicável a um compromisso profissional que subjugue o binómio trabalho-satisfação pessoal, creio reunir as aptidões exequíveis para debitar trivialidades e conjecturas várias sobre a prática de um desporto que envolve um esférico, dois desígnios superiores - vulgo balizas - e 22 elementos humanos basculantes.”
Neste âmbito, Portugal destaca-se num aspecto. É o país onde a profissão de Comentador de Futebol reúne mais mão-de-obra laboral. Ao ver televisão e se for mudando de canal, certamente encontrará um destes espécimes em pleno acto. Se for ao café, provavelmente dará de caras com um profissional do ramo. Se estiver na praia e levantar a toalha estendida na areia, é certinho que encontrará um comentador de futebol semi-enterrado.
De entre os profissionais de toda esta classe, Rui Santos distingue-se claramente entre os demais (e aqui os demais também podem englobar o mundo inteiro), quer seja pelas gravatas que usa, quer seja pela dose de estupidez que confere a cada intervenção sua. E o pior é que a tortura quotidiana a que nos submete parece ter ainda uns largos anos de exorcismo pela frente.
Rui Santos obtém uma proeza digna de figurar no livro dos Recordes do Guiness: é odiado por benfiquistas, sportinguistas, portistas, belenenses, vimaranenses, amantes do desporto em geral, homens, mulheres, crianças, idosos… ninguém escapa a esta figura mitológica dos anais do futebol falado.
Nem mesmo as pessoas surdas estão a salvo, porque podem não o ouvir, mas vêem a sua cara. E vice-versa para os cegos.
E se for um surdo-mudo-invisual? Bem, nesse caso, há esperança, mas receio que a imbecilidade, o constante diz-que-disse e o interminável exercício de auto-copulação verbal de Rui Santos se entranhe por osmose, mesmo por intermédio da televisão ou do jornal.
Se a fogueira das vaidades fosse uma expressão literal, este senhor respondia pelo nome de Rui “Chiado 88″ Santos. No entanto, em homenagem ao dom predestinado de tirar o mais tranquilo dos mortais do sério, e fazendo jus aos seus majestosos e fartos caracóis cuidadosamente lambuzados com gel e brilhantina, declaro Rui Santos como Estafermus Horribilis nª2 - A Ovelha Negra.
A propósito deste post, nada melhor para ilustrá-lo do que este sketch do excelente programa Edição Extra.