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Mar

11

A Doce Arte da Simplicidade

Posted by: Tiago Pereira

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Não tenho por hábito acompanhar as cerimónias dos Óscares nem todo o frenesim gerado em torno dos filmes que “vão a jogo”, e muito menos me considero um cinéfilo militante. Sempre que tenho um tempo livre, a minha paixão pela sétima arte tem sido constantemente ultrapassada pelo prazer cada vez mais requintadamente saciado em degustar uma bela série projectada para TV. Aí sim, encarno verdadeiramente o papel de aficionado de um Lost, um 24, um Prison Break, um The Office ou um Big Train, só para mencionar alguns exemplos.

No entanto, este ano foi diferente no que respeita ao meu interesse pela entrega do galardão máximo da indústria cinematográfica. Não tendo visto todos os filmes em causa, posso pois dizer subjectivamente que concordei com as distinções mais relevantes, com particular destaque para a de Melhor Actor Secundário para Javier Bardem em No Country for Old Men. O seu Anton Chigurh consegue pôr a um canto virado para a parede e com orelhas de burro o mais maléfico dos psicopatas.

Mas, de todas as nomeações, aquela que mais curiosidade me suscitava foi precisamente a que me deu a maior das satisfações: o Óscar de Melhor Música foi entregue ao filme Once, com a música Falling Slowly. Não foi tanto a atribuição do galardão que me alegrou, mas sim o reconhecimento justíssimo da grandiosidade deste filme irlandês modesto em recursos, em estrelas (sem actores profissionais, imagine-se), sem efeitos de qualquer espécie, mas com uma esmagadora simplicidade e brilhantismo que o eleva ao pódio das películas imortais que apetece levar connosco para todo o sempre.

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Em cada cena transpira-se o real e o honesto, sem nunca esses trunfos nos serem atirados à cara de forma óbvia. Filmado em jeito de documentário, Once desenvolve-se com o pano de fundo baseado na química musical entre Glen Hansard e Marketa Irglova, dois músicos na vida real e sem experiência de interpretação cinematográfica, o que valoriza ainda mais a sintonia gerada pelos dois protagonistas e a afinidade instantânea que nos provocam. O argumento do filme flui por entre as músicas cantadas nos momentos certos, num encadeamento tão lógico como perfeito, até chegarmos a um final avassaladoramente subtil e melancólico.

Aqui deixo a sequência de abertura com aquela que talvez seja a minha música favorita do filme, algo muito difícil de destacar face à enorme qualidade da banda sonora.

Não sendo eu um especial apreciador de musicais, considero-me insuspeito para poder catalogar este filme como uma pérola preciosa e um verdadeiro hino ao doce realismo que por vezes escapa à nossa percepção do dia-a-dia. Once é uma bela prova de que a simplicidade é a mais complexa das formas de arte.

One Comment to “A Doce Arte da Simplicidade”

  1. andre Says:

    grande filme.
    Tambem curti muito, parabéns pela escolha.

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