Traço na campa

Aproveita-o

Archive for May, 2008

May

30

O Top Nacional v3

Posted by: Tiago Pereira

Posted in: O Top Nacional

No top nacional desta semana, mais uma vez salta à vista a diversidade que enriquece o gosto musical do comum português. Senão vejamos:

1 – Camané (Sempre de Mim)
2 – Kizomba Brasil (Kizomba Brasil)
3 – Moonspell (Night Eternal)

As novas tendências do marketing confluem sistematicamente para uma vertente inovadora que dá pelo nome de Tribal Marketing. Este conceito defende que a evolução social dos indivíduos e, por consequência, os seus hábitos de consumo, tende cada vez mais para uma lógica de pertença a uma comunidade que partilha os mesmos gostos, desejos, experiências e objectivos.

A forma como está composto o pódio do top nacional encaixa-se perfeitamente neste paradigma. Três gostos musicais totalmente distintos, três maneiras diferentes de sentir e vivenciar o prazer musical, no fundo, três tribos sociais com génese e objectivos bem assimétricos. Em comum têm apenas a necessidade de reconhecer e interagir com quem lhes é semelhante.

Podia ter começado este texto enveredando pela piada fácil, mas resisti a seguir esse caminho. Bastava-me ter dito que este top reflectia o peso emergente das minorias étnicas em Portugal, nomeadamente PALOPs, brasileiros, metálicos ou anões. Mas não gosto de cair em lugares comuns ou facilitismos. A elevação de padrões deve estar sempre em primeiro lugar, neste caso, do top da não-palermice.

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May

14

O Dicionário de Português - Português

Posted by: Tiago Pereira

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Um assunto que esteve ontem na ordem do dia captou-me a atenção pela sua componente caricata. Uma deputada do parlamento, Teresa Caeiro, insurgiu-se publicamente contra a direcção do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), por ter disponibilizado no site da instituição dedicado aos jovens (www.tu-alinhas.pt) um dicionário de calão que ela considera ser «irresponsável» e «inaceitável».

Em causa está uma definição específica. Segundo o referido dicionário, “betinho“ é «aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante». Tomado pela curiosidade, fui dar uma vista de olhos pelo famigerado dicionário, tendo verificado a elevadíssima precisão dos significados atribuídos aos diversos termos utilizados na gíria do submundo da droga e da delinquência. Por esse motivo, não quis deixar de contribuir com algumas definições que penso estarem em falta nesta obra já de si tão abrangente, na certeza de que todas as pessoas, pelo menos da minha faixa etária, concordarão sem reservas com estas sugestões.
  

Facínora - Pessoa que urina na cama. 

Palerma - Pessoa que diz “ouvistes”, “dissestes” e “viestes”.

Paspalho - Adulto que mastiga de boca aberta.

Pateta - Aquele que dá no cavalo.    

Tonto - Pessoa que dá na cocaína só aos fins-de-semana em festas de amigos e que a continuar assim vai dar em agarrado.

Estúpido - Profissão que envolve andar com um fato às cores, sapatos gigantes, uma flor que esguicha água, uma bola vermelha no nariz e uma peruca.

1-2-3 Macaquinho de Chinês - Pessoa que trabalha de dia e prostitui-se à noite.

Bué - Preço da gasolina. 

Tótó - Aquele que achava a Samantha Fox melhor que a Sabrina. 

Imbecil - Pessoa do sexo masculino que vê o Preço Certo em Euros e não repara nas assistentes do Fernando Mendes.

Mariquinhas Pé-de-Salsa - Inalador casual de tubos de escape.

Palhaço - ver Estúpido.
  

Esta foi a minha singela contribuição.

Por outro lado, não posso deixar de louvar esta iniciativa. Sim, eu tenho de lhe dar o devido valor, porque no meu tempo de pré-adolescente, lembro-me perfeitamente de a dada altura sentir-me alienado por não saber o que queriam dizer termos como “trip”, “chamon” ou “dar na fruta”. Bem hajas, admirável mundo virtual.

 

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May

06

Noites Tecnológicas

Posted by: Tiago Pereira

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Neste momento são cerca de 04:52 da manhã de terça-feira, 06 de Maio de 2008. Encontro-me em pleno escritório, mergulhado numa maratona profissional que tem como grande e almejado objectivo colocar o novo site da empresa online. O parto está a ser cautelosamente provocado por cinco enfermeiros de TI que estão de banco esta noite.

Depois de termos jantado umas pizzas, fazendo assim jus ao maior de todos os clichés que envolve o estereótipo do labor informático, assumimos em conjunto uma postura de missão, da qual todos fizemos ponto de honra que iria ser cumprida. A meu cargo está a criação e publicação dos conteúdos do site, que no fundo irão perfazer o seu núcleo de informação. Olho em meu redor e deparo com o nosso designer, os programadores, o gestor do projecto. Cada um na sua função específica, trabalhamos em prol de uma meta comum. O ambiente está calmo, ouve-se música, a boa disposição impera, imune ao avançar intrépido dos ponteiros. A concentração total nas nossas tarefas apenas é entrecortada por breves e saudáveis intervalos, onde nos dedicámos ao lançamento de bolas do stress a um mini-cesto de basquetebol que faz parte do nosso mobiliário de escritório, além de termos visionado uma cómica imitação do Jaime Pacheco no programa “Edição Extra”.

Apesar de, até agora, ter presenciado umas intrincadas e complexas discussões técnicas próprias de linguagem informática, e de nunca ter duvidado do sucesso desta iniciativa, admito que vacilei um pouco a dada altura. Para ser mais preciso, à passagem das 00:28, quando ouvi um meu colega desabafar, em tom monocórdico e arrastado, a seguinte frase:

Tenho aqui uns pontos de interrogação a atrofiar-me.

A inquietude que se apoderou de mim quando ouvi esta mensagem levou-me a pensar na minha vidinha. Será que estou bem? Será que todos nós precisamos de um intervalo? Será que entrei na quinta dimensão?

Mas logo me recompus. Utilizando essa súbita reanimação de espírito, tentei contagiar os meus bravos companheiros com a chama da motivação, esforço a que fui plenamente correspondido. Posto isto, posso afirmar com convicção e uma ponta de orgulho que a criança está prestes a nascer e tem todos os sinais vitais em ordem.

Mais tarde, se tudo correr pelo melhor, irei pôr aqui o link para que se possa apreciar o rebento em todo o seu esplendor. Segundo me dizem agora, basta para isso que se resolva o problema dos pontos de interrogação. O que, a julgar pela cara de pânico/incredulidade num ser superior do meu colega, não acontecerá tão cedo. Mas a noite ainda é uma criança. Pelo menos, espero que ainda possa gerar uma.

 

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