Oct
24
Há uns tempos atrás, durante o meu habitual zapping diário de 5 minutos, tive o privilégio de assistir a uma entrevista que foi muito mais do que isso, como já era de prever e dados os intervenientes em causa.
António Lobo Antunes o entrevistado.
Mário Crespo o entrevistador.
Dois monstros sagrados. Como o comum dos mortais, mas em melhor. O Mário e o António. Um escreve palavras, o outro comunica factos. Ambos contam histórias, concentram talento, paixão, classe, um pragmatismo emotivo. E ostentam no que fazem aquela simplicidade só ao nível dos predestinados.
O tema central dizia respeito ao lançamento do novo livro do escritor, intitulado “O Arquipélago da Insónia”. Tomando como base a história e os personagens retratados na obra, as ideias fluíram naturalmente para os diversos campos da nossa existência, com os inevitáveis paralelismos a surgirem… a Morte, o Amor, a Vida, a Inquietude, o Desespero, a Alegria, a Solidão.
Ao saborear cada momento daquela conversa, a imagem que mais me veio à cabeça transportou-me para uma qualquer aula de Filosofia, na qual a professora nos dava a conhecer a sociedade grega dos tempos antigos, onde os sábios tinham grande prestígio e uma influência tal que os seus ensinamentos e verdades argumentadas originavam a evolução de todo um povo. Hoje em dia, no mundo que temos, estes dois senhores são do mais próximo que eu consigo associar àquele imaginário.
Uma vida destas quero ser como eles.