Jun
08

Caros concidadãos,
É com muita tristeza e até algum pesar que vos escrevo estas palavras.
Serve o presente para comunicar que jamais poderei candidatar-me ao cargo de Presidente da República.
E tudo porquê?
Porque perdi a carteira.
Sim, é verdade. Devido a este infortúnio, fiquei sem o cartão de eleitor em meu poder, pelo que, ao dirigir-me ontem para a minha eterna Escola Primária, a fim de exercer o dever cívico de votar nestas eleições europeias, foi-me negado tal direito constitucional, por não ter em meu poder o dito cartão. Daqui resulta que, por lei, fico assim permanentemente impossibilitado de me poder candidatar ao cargo de presidente.
Sei o quanto esta notícia pode chocar a grande maioria do povo português que sempre esteve do meu lado, pelo que peço as minhas sinceras desculpas a todos aqueles que cedo depositaram em mim as maiores esperanças e viram em mim desde a primeira hora o talento inato só ao alcance dos predestinados para ser o comandante do velho império lusitano. Eu sei o quanto vos desiludi, e esta cruz será o meu fado.
A quem porventura encontrar o meu cartão de eleitor num qualquer lugar mais inóspito, fique a saber que nas suas mãos jaz a razão porque Portugal é um país sem timoneiro nem rumo certo.
Da mesma forma, concluí que:
Cavaco Silva tem muitos defeitos, mas nunca perdeu a carteira.
Jorge Sampaio provavelmente era avisado de forma veemente todos os dias pela sua esposa para guardar o seu cartão de eleitor em lugar seguro.
Soares é fixe, mas ter o cartão de eleitor é ainda mais porreiro.
Ramalho Eanes tratava os seus documentos pessoais com o rigor que lhe era característico.
Sortudos.
E agora percebo o porquê de tantos políticos e ex-políticos lidarem tão bem com a arte de nos irem à carteira. É porque sabem muito bem como proteger a deles.