Traço na campa

Aproveita-o

Archive for the ‘Estafermus Horribilis’ Category

Jan

20

O mundo do desporto-rei está impregnado de pessoas que vivem à custa dele sem saberem dar um único pontapé numa bola, nem mesmo a contribuírem directamente para a prática desta actividade. Quando, em crianças, foram inquiridos com a pergunta obrigatória de “Que queres ser quando fores grande”, certamente que responderam desta forma:

“Quando o meu estado de desenvolvimento adquirir uma consistência fisico-neurológica adjudicável a um compromisso profissional que subjugue o binómio trabalho-satisfação pessoal, creio reunir as aptidões exequíveis para debitar trivialidades e conjecturas várias sobre a prática de um desporto que envolve um esférico, dois desígnios superiores - vulgo balizas - e 22 elementos humanos basculantes.”

Neste âmbito, Portugal destaca-se num aspecto. É o país onde a profissão de Comentador de Futebol reúne mais mão-de-obra laboral. Ao ver televisão e se for mudando de canal, certamente encontrará um destes espécimes em pleno acto. Se for ao café, provavelmente dará de caras com um profissional do ramo. Se estiver na praia e levantar a toalha estendida na areia, é certinho que encontrará um comentador de futebol semi-enterrado.

De entre os profissionais de toda esta classe, Rui Santos distingue-se claramente entre os demais (e aqui os demais também podem englobar o mundo inteiro), quer seja pelas gravatas que usa, quer seja pela dose de estupidez que confere a cada intervenção sua. E o pior é que a tortura quotidiana a que nos submete parece ter ainda uns largos anos de exorcismo pela frente.

Rui Santos obtém uma proeza digna de figurar no livro dos Recordes do Guiness: é odiado por benfiquistas, sportinguistas, portistas, belenenses, vimaranenses, amantes do desporto em geral, homens, mulheres, crianças, idosos… ninguém escapa a esta figura mitológica dos anais do futebol falado.

Nem mesmo as pessoas surdas estão a salvo, porque podem não o ouvir, mas vêem a sua cara. E vice-versa para os cegos.

E se for um surdo-mudo-invisual? Bem, nesse caso, há esperança, mas receio que a imbecilidade, o constante diz-que-disse e o interminável exercício de auto-copulação verbal de Rui Santos se entranhe por osmose, mesmo por intermédio da televisão ou do jornal.

Se a fogueira das vaidades fosse uma expressão literal, este senhor respondia pelo nome de Rui “Chiado 88″ Santos. No entanto, em homenagem ao dom predestinado de tirar o mais tranquilo dos mortais do sério, e fazendo jus aos seus majestosos e fartos caracóis cuidadosamente lambuzados com gel e brilhantina, declaro Rui Santos como Estafermus Horribilis nª2 - A Ovelha Negra.

A propósito deste post, nada melhor para ilustrá-lo do que este sketch do excelente programa Edição Extra.

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Vou inaugurar uma nova categoria neste blog (até porque, parecendo que não, isto assim fica mais organizadinho e tudo). Esta categoria terá o nome de Estafermus Horribilis e pretende distinguir personalidades públicas que, por uma razão ou outra, ou até por todas as razões e mais algumas, não colhem de todo a minha simpatia. Não tenho como objectivo denegrir nem achincalhar gratuitamente a imagem destas personagens, até porque não os conheço pessoalmente, por isso baseio-me apenas na minha percepção dos seus altos índices de palermice que teimam em ostentar.

E quem tem a honra de ser o número um desta lista indesejável?

Nada menos do que Luís Delgado

O habitual comentador político da Sic Notícias não tem pejo em assumir a sua ideologia de eleição nem de a defender publicamente com unhas e dentes. Até aqui nada há a apontar. O problema é que essa necessidade de endeusar tudo o que gira em torno do espectro político de direita em Portugal e no mundo, seja em que circunstância for, torna-se invariavelmente numa obsessão cega que leva a um desfasamento da realidade e a um constante apelo ao ridículo. Não é por acaso que há quem diga meio a brincar meio a sério que uma das causas para o declínio de PSD e CDS-PP tem origem nos hilariantes tempos de antena deste senhor.

Ele gostava de Barroso, venerava Santana, dispende alvíssaras a Menezes, elogia Jardim, desculpa Isaltino, glorifica Portas. Para ele não há incompetência nas instituições partidárias da sua preferência. Há apenas alguns somente fantásticos no meio dos outros todos fabulosos. Coincidência ou talvez não, quando o governo de Durão Barroso estava em pleno exercício de poderes, o Estafermus Delgado foi designado para administrador da Agência Lusa, acumulando inclusivamente esse cargo com o de director de um site de notícias, o Diário Digital.

Para Luís Delgado, o governo de Sócrates é contra-natura, sendo que até agora - heresia - até teve uma ou duas medidas acertadas. E porquê? Porque foi roubá-las descaradamente à direita, claro está! Quanto ao Sarkozy, tudo bem, mas escusava de ser tão moderado. A guerra do Iraque? Foi o passo mais acertado e legítimo de toda a História. Ah… e o Bush é um dos tais fabulosos.

Para todas as personalidades burlescas e circenses que amíude dão a cara pela esquerda extremista, ele desempenha exactamente o mesmo papel mas na barricada oposta, e sozinho consegue dar conta do recado. Luís Delgado come a comida macrobiótica da direita. Luís Delgado é o protestante com rabicho contra o milho transgénico de direita. Luís Delgado usa blusões de napa de direita. Luís Delgado cospe fogo, lança massas, brinca com o diablo em nome da direita. Em suma, Luís Delgado é o Chapitô da Direita.

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