Traço na campa

Aproveita-o

Archive for the ‘O Top Nacional’ Category

May

30

O Top Nacional v3

Posted by: Tiago Pereira

Posted in: O Top Nacional

No top nacional desta semana, mais uma vez salta à vista a diversidade que enriquece o gosto musical do comum português. Senão vejamos:

1 – Camané (Sempre de Mim)
2 – Kizomba Brasil (Kizomba Brasil)
3 – Moonspell (Night Eternal)

As novas tendências do marketing confluem sistematicamente para uma vertente inovadora que dá pelo nome de Tribal Marketing. Este conceito defende que a evolução social dos indivíduos e, por consequência, os seus hábitos de consumo, tende cada vez mais para uma lógica de pertença a uma comunidade que partilha os mesmos gostos, desejos, experiências e objectivos.

A forma como está composto o pódio do top nacional encaixa-se perfeitamente neste paradigma. Três gostos musicais totalmente distintos, três maneiras diferentes de sentir e vivenciar o prazer musical, no fundo, três tribos sociais com génese e objectivos bem assimétricos. Em comum têm apenas a necessidade de reconhecer e interagir com quem lhes é semelhante.

Podia ter começado este texto enveredando pela piada fácil, mas resisti a seguir esse caminho. Bastava-me ter dito que este top reflectia o peso emergente das minorias étnicas em Portugal, nomeadamente PALOPs, brasileiros, metálicos ou anões. Mas não gosto de cair em lugares comuns ou facilitismos. A elevação de padrões deve estar sempre em primeiro lugar, neste caso, do top da não-palermice.

Read Comments (0)


Nov

21

O Top Nacional v2

Posted by: Tiago Pereira

Posted in: O Top Nacional

Ao levar a cabo uma nova incursão curiosa e despreocupada pelo sempre sui generis top nacional, deparo-me desta vez com o ranking de álbuns disposto da seguinte forma:

1 - Jorge Palma (Vôo Nocturno)
2 - Mariza (Concerto em Lisboa)
3 - Mafalda Veiga e João Pedro Pais (Lado a Lado)
4 - Teresa Salgueiro (La Serena)

O que há a realçar daqui? Antes de mais, são cinco nomes portugueses, o que demonstra uma inóspita revitalização da música nacional. Resta saber se não será uma situação meramente passageira.

Mas, na minha óptica, a tal assimetria de qualidade que invade os gostos musicais dos portugueses está aqui novamente estampada, dando até a ideia que este é uma faceta inata sobre a qual não há nada a fazer. E digo isto porque, destes cinco músicos com nome na nossa praça, há uma dupla que, a meu ver, se situa muitos patamares abaixo do que é expectável em termos de qualidade das suas odes. Imaginemos que, se a boa música está no 10º andar de um prédio, este duo maravilha está no 1º. Só não os coloco no rés-do-chão porque no primeiro andar dá uma altura suficiente para se poderem atirar da varanda e, possivelmente, espatifarem as cordas vocais aquando do embate.

Ao ouvir atentamente as suas propostas musicais, a imagem mental que rapidamente atravessa o meu espírito é a de dois rouxinóis com asma a discutirem entre si. Pode-se dizer que, no caso destes artistas, o todo não é igual à soma das partes, dado que 0+0 é e será sempre, invariavelmente, um grande e rotundo 0. Como se já não bastasse ter que ouvir o ruído que emana da voz daquele que o seu espelho lhe diz que é o Bryan Adams cá do burgo, ainda temos que levar com as melodias da cantautora que ganhou o epíteto de “A voz que embala a Quinta da Marinha, sei lá.”

Nada tenho pessoalmente contra os dois, mas peço-vos um favor em nome do mundo: saiam daqui. É o melhor para nós e para vocês, Jorge Palma e Mariza.

Read Comments (0)


Oct

18

O Top Nacional v1

Posted by: Tiago Pereira

Posted in: O Top Nacional

Esta semana o top nacional de música está configurado da seguinte forma:

1 - David Fonseca (Dreams in Colour)
2 - Chiquititas (Chiquititas)
3 - Pavarotti (Pavarotti Forever)

Três apostas diferentes para três públicos completamente distintos. A riqueza desta heterogeneidade cultural não pode esconder no entanto a monstruosa assimetria de qualidade que salta à vista neste top. Bem sei que o gosto musical é algo muito pessoal e que cada um defende a sua sensibilidade auditiva de modo por vezes acérrimo. Mas creio que o senso comum não deixa de nos provocar uma sensação de desconforto e até vergonha patriótica perante uma tabela de preferências deste calibre.

David Fonseca? Tudo bem.
Chiquititas? Sim senhor.
Pavarotti??? Por amor de deus. Poupem-me.

Read Comments (1)